Homem agrava eventos climáticos extremos

06/09/2013 08h20 - Atualizado em 06/09/2013 08h20

Eventos extremos de 2012 foram intensificados por combustíveis fósseis.
Pesquisadores analisaram 12 episódios climáticos como secas e enchentes.

Da AFP

Gado pasta em gramado afetado pela seca em Paris, no estado americano de Missouri, nesta sexta-feira (13) (Foto: AFP)
Gado pasta em gramado afetado pela seca no estado americano de Missouri, em 2012, quando o país teve a pior seca em 56 anos. (Foto: AFP)

As mudanças climáticas provocadas pelo uso humano de combustíveis fósseis tiveram um papel em meia dúzia de eventos climáticos extremos no ano passado, informaram cientistas nesta quinta-feira.

Uma equipe de especialistas examinou 12 episódios climáticos extremos em 2012, de secas nos Estados Unidos e África a fortes chuvas em Europa, Austrália, China, Japão e Nova Zelândia.

Metade dos eventos selecionados demonstrou algum indício de terem sido piores do que o esperado, devido a elementos como água do mar ou temperaturas mais quentes, causados por emissões de gases estufa e aerossóis na atmosfera.

O relatório, intitulado 'Explicando os Eventos Extremos de 2012 de uma Perspectiva Climática' (em uma tradução livre), foi publicado no Boletim da Sociedade Meteorológica Americana. O estudo, revisto por pares, incluiu 18 temas de pesquisa de todo o mundo.

'Todos os eventos extremos de 2012 considerados neste relatório, baseados nas análises dos autores, provavelmente teriam ocorrido independentemente das mudanças climáticas', disse Thomas Karl, diretor do Centro de Dados Climáticos Nacionais da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês).

O objetivo do esforço de pesquisa é compreender se eventos extremos são propensos a ocorrer mais frequentemente no futuro e 'se a sua intensidade está mudando por causa de fatores naturais ou de mudanças causadas pelo homem', disse Karl a jornalistas.

Segundo cientistas, a influência humana no clima pode ser em parte culpada pelas fortes chuvas na Austrália e na Nova Zelândia e na seca recorde de inverno no sudoeste da Europa.

No entanto, chuvas incomuns em China e Japão, ainda que extremas, não parecem ter tido um vínculo claro com as mudanças climáticas causadas pelo homem. Nem a seca de 2012 nos Estados Unidos parece ter sido influenciada pelas mudanças climáticas, embora o mesmo grupo de cientistas tenha reportado no ano passado que um clima severamente seco a partir de 2011 parece ter sido agravado pelo aquecimento global antropogênico.

A atribuição de eventos extremos é difícil porque as mudanças climáticas podem ser um fator contribuinte, mas não o único, afirmou Tom Peterson, principal cientista do Centro de Dados Climáticos da NOAA.

Se a variabilidade natural no clima puder ser comparada a motoristas que dirigem perigosamente ou ruas escorregadias, ele considerou que pisar fundo no acelerador é como o aumento na intensidade das chuvas e no nível do mar, que são causados pelo aquecimento global.

'Nós sabemos que o mundo está esquentando e a razão principal é a queima de combustíveis fósseis', disse Peterson.

Um dos exemplos mais fortes da influência humana foi vista na incomum onda de calor registrada no leste dos Estados Unidos entre março e maio de 2012. A contribuição humana para o evento foi estimada em 35%, elevando o risco de ocorrer tão onda de calor em 12 vezes.

Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2013/09/atividades-do-homem-agravam-eventos-climaticos-extremos.html